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Soñadora, guerrera y extranjera de corazón. Busco sempre além da minha realidade, voo nas asas da imaginação. Há tanto o que descobrir, viver, sentir. O mundo é tão grande, maior ainda é o poder da mente. Tenho uma alma de lembrança, do querer, das possibilidades, do inimaginável da ânsia por um futuro melhor. Uma angústia constante que busca no improvável a compreensão do ser.

domingo, 14 de junho de 2015

John Rawls e Robert Nozick



UTILITARISMO

John Rawls e Robert Nozick
O utilitarismo é uma teoria sobre o valor moral das ações individuais e se caracteriza pelo que os autores chamam de consequencialíssimo. De acordo com o utilitarismo, o valor moral de uma ação é uma função das consequências boas ou más, mais exatamente, da felicidade ou infelicidade que ela produz ou tende a produzir. Aplicado à teoria política, o princípio utilitarista reza que a limitação coercitiva das liberdades individuais por parte do Estado pode ser considerada como justificada na medida em que suas consequências são úteis, e na medida em que o Estado tende a promover o maior bem-estar ou felicidade da coletividade a ele submetida. Ou seja, ainda que a restrição coercitiva das liberdades seja em si mesma um mal necessário, ela estará justificada na medida em que for compensada por um máximo de bem-estar ou felicidade proporcionado para a coletividade. Assim, para o utilitarista, a única razão plausível para justificar a restrição das liberdades, cobrar obediência às leis e sancionar coerções diante de sua desobediência está em mostrar que isso é mais vantajoso e útil, porque torna a coletividade mais feliz.
Para Rawls, o utilitarismo é insatisfatório pelo menos por duas razões. Em primeiro lugar, e de acordo com a sua avaliação da teoria utilitarista, esta falha por não concordar com os nossos juízos ponderados sobre o facto de os direitos individuais não deverem estar sujeitos ao cálculo dos interesses sociais. A proposição central do utilitarismo, pelo menos na sua forma clássica, é o princípio da maior felicidade. De acordo com este princípio, o melhor resultado é aquele que maximiza a felicidade agregada dos membros de uma sociedade tomada como um todo. Todavia, em algumas circunstâncias plausíveis, pode acontecer que a maneira de maximizar a felicidade agregada signifique impor um sofrimento considerável a um ou a alguns membros de uma sociedade. Suponhamos que eu e tu pertencemos a uma sociedade de cem pessoas. Suponhamos que noventa e cinco de nós podem ficar mais felizes escravizando os restantes cinco, forçando-os a realizar tarefas que a nossa sociedade considera desagradáveis e aviltantes, mas que nos libertam para realizar tarefas mais agradáveis e recompensadoras. Pode acontecer que este curso de ação venha a produzir mais felicidade agregada do que a alternativa de não escravizar ninguém, mesmo considerando a miséria dos infelizes escravizados. De acordo com o utilitarismo clássico, o melhor resultado é aquele que maximiza a felicidade agregada. Se o máximo de felicidade agregada pode ser alcançado através do curso de ação que implica a escravização de alguns para produzir a maior felicidade para a maioria, então o utilitarismo clássico defenderá que esse curso de ação é o melhor. Rawls defende que resultados deste tipo colidem com os nossos juízos ponderados sobre os direitos que os indivíduos possuem e que não devem ser sacrificados no cálculo dos interesses sociais.
Em segundo lugar, Rawls pensa que o utilitarismo […], pressupõe uma concepção monista do bem. Para Rawls, é uma premissa da teoria utilitarista que se todos os indivíduos forem totalmente informados e racionais, concordarão que existe apenas um bem. No utilitarismo clássico, o bem é o prazer mental ou então, e tomado de uma forma mais ampla, o bem-estar psicológico. Na opinião de Rawls, ainda que os utilitaristas aceitem que diferentes coisas contribuam para o bem, pressupõem que isso acontece porque contribuem para o bem-estar psicológico, que é, só por si, o único bem. Rawls pensa que este pressuposto está errado. Na sua perspectiva, há uma concepção pluralista de diferentes e até incomensuráveis concepções de bem e assim continuaria a ser mesmo que todas as pessoas fossem muitíssimo informadas e racionais. As pessoas possuem diferentes valores e formulam diferentes projetos. Alguns destes valores e projetos ultrapassam a sua própria vida e experiência individual. Isso é, algum indivíduo — muitos indivíduos, de facto — valorizam outras coisas para além de estados mentais ou estados de bem-estar psicológico. Os utilitaristas podem tentar explicar estes valores afirmando que devem estar baseados em inferências desinformadas ou irracionais. No entanto, segundo Rawls, este esforço será infrutífero. As pessoas formulam de facto diferentes concepções de bem, em muitos casos irreconciliáveis. Uma teoria da justiça satisfatória, pensa Rawls — corretamente, na minha opinião — deve ter em conta este facto.




Robert Nozick e os três princípios de justiça
O intento de Nozick consiste precisamente em explicar por que razão não pretende trabalhar no seio da teoria rawlsiana e prefere optar por um paradigma alternativo. Nozick postula uma alternativa assente em direitos individuais de propriedade que funcionam como um entrave moral a todas as formas de distributivismo. Se o pensamento de Rawls pode ser lido como uma justificação do estado social, o de Nozick consiste numa defesa explícita de um estado mínimo que não procura corrigir as desigualdades sociais.
A primeira questão que um autor libertário como Nozick tem de enfrentar é precisamente a de saber se o estado se justifica de todo, ou se seria preferível a sua ausência, isto é, a anarquia no sentido político, não etimológico.
Nozick propõe-nos uma experiência mental que consiste em imaginar o estado de natureza de Locke, no qual não existe ainda estado civil mas apenas indivíduos dotados de direitos morais pré-políticos.
Os direitos pré-políticos em Nozick devem ser vistos, na linha de Locke, como uma decorrência do direito à propriedade de si mesmo. Cada indivíduo é dono de si próprio e não propriedade de outrem e isso implica o direito à vida, à liberdade de fazer o que quiser consigo mesmo, com o seu corpo e os seus talentos pessoais, e ainda o direito aos haveres ou à propriedades.
Nozick imagina que os indivíduos começam por organizar-se em associações protectivas com vista a garantir a sua própria segurança. Esta é uma primeira forma concertada de defesa dos direitos individuais. Mas, como os membros das associações protectivas não podem dedicar-se a tempo inteiro a essa protecção, a tendência é para a divisão do trabalho e a profissionalização destas associações.
A teoria da titularidade diz respeito às posses, ou haveres, dos indivíduos, isto é, à propriedade no sentido estrito e mais comum. Coloca-se então a questão: em que circunstâncias têm os indivíduos direito aos seus haveres (ou não)? Nozick considera que a teoria da titularidade responde a esta questão abarcando três aspectos diferentes: a justiça na aquisição, a justiça na transferência e, finalmente, a rectificação da injustiça.

sábado, 13 de junho de 2015

Rawls e o utilitarismo





A principal motivação da teoria da justiça como equidade é o desejo de Rawls de formular uma alternativa poderosa ao utilitarismo. Parecia-lhe que o utilitarismo era a teoria mais sistemática e abrangente disponível para fornecer uma base de comparação entre instituições e práticas sociais alternativas. No entanto, para Rawls, o utilitarismo é insatisfatório pelo menos por duas razões.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Consciência e Conhecimento

1. INTRODUÇÃO
No que consiste o conhecimento? Pode-se distinguir o conhecimento da opinião? O que significa consciência? Há relação entre consciência e conhecimento? Que tipo de subsídios o Espiritismo pode nos oferecer para uma melhor compreensão do tema?
2. CONCEITO
Consciência significa etimologicamente um saber testemunhado ou concomitante. Concomitante. Diz-se de coisa que acompanha outra sendo esta principal que se produz ao mesmo tempo; simultâneo. Por analogia, dualidade ou multiplicidade de saberes ou de aspectos num mesmo e único ato de conhecimento. (Polis)
Conhecimento. Conhecer é uma atividade mental por meio da qual o ser humano se apropria do mundo ao seu redor.
3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Este par de termos consciência e conhecimento acompanha o ser humano desde longa data. Observe a proposta socrática do conhece-te a ti mesmo, em que o indivíduo é convidado a tomar consciência de si mesmo, do seu próprio conhecimento, da sua ignorância. Ao longo do tempo, não foram poucos os problemas levantados pelos diversos filósofos. Situemos alguns deles: o que pode ser conhecido? É possível um conhecimento absoluto? Como é possível o conhecimento, se Sócrates disse que sabia que nada sabia? Por que os homens desejam conhecer? Até onde pode chegar o conhecimento humano? Pode-se analisar Deus em termos racionais? Sensação e conhecimento implicam sempre consciência? Todo conhecimento provém da experiência? Há conhecimento inato?
4. SOBRE A CONSCIÊNCIA
4.1. COMO ATO VIVENCIAL
A consciência deve ser compreendida como um ato vivencial. O ser humano é um ser consciente em que o sujeito se opõe ao objeto. Há, assim, uma posição dialética com relação ao objeto de conhecimento e assim faz-se a sua história. Num primeiro instante, há uma abertura para a realidade. Em virtude da relação dialética, ao mesmo tempo em que o sujeito afirma a consciência-de-algo, afirma também a consciência de si. Como na dialética, pressupõe-se uma síntese, esta é obtida pela confluência das duas posições: a do sujeito e a do objeto. (Perine, 2007, cap. 2)
4.2. CONSCIÊNCIA MÍTICA
O ser humano, como indivíduo em face do mundo, começou o seu grau evolutivo pelo conhecimento do mito. A filosofia, desde o seu aparecimento, estabeleceu uma relação de amizade e de confronto com o mito. O mito, antes de tudo, é uma palavra, ou melhor, uma das formas do discurso humano. O mito assumia a palavra com caráter de sagrado. No mito, temos a metáfora, que é a transferência de sentido. O logos filosófico não punha por terra o mito, mas tentava dar-lhe uma forma demonstrativa, um fundamento baseado na razão, daí a consciência racional. (Perine, 2007, cap. 2)
4.3. CONSCIÊNCIA RACIONAL
A consciência racional caracteriza-se pelo uso da razão na obtenção de conhecimento e da oposição do sujeito ao universal. Na consciência mítica, há uma oposição do sujeito com relação ao mundo; aqui, uma oposição com o universal. A abstração dos conhecimentos está calcada no princípio da liberdade, em que a luz do bem unifica a consciência. O bem dá liberdade ao individuo de fazer as suas escolhas. Ao fazer as escolhas, torna-se, também, responsável pelos seus próprios atos. (Perine, 2007, cap. 2)
5. SOBRE O CONHECIMENTO
5.1. RELAÇÃO SUJEITO E OBJETO
O conhecimento é a relação que existe entre o "observador" e a "coisa observada". A realidade é o que é. Ela não é falsa nem verdadeira. Verdadeiros ou falsos são os nossos juízos acerca da mesma. Se a imagem que fazemos de um objeto coincide com o que ele é, estamos de posse da verdade; se, ao contrário, houve um viés, estamos em erro. Assim sendo, é muito mais importante a imagem que fazemos do objeto do que ele próprio.
5.2. FUNÇÕES DO CONHECIMENTO
O filósofo Xavier Zubiri atribui três funções ao conhecimento: 1) distinguir o que é daquilo que não é, distinguir a essência da aparência, o real do ilusório; definir, 2) determinar e especificar o que são as coisas, captando suas diferenças em relação às outras; 3) entender por que as coisas são como são. (Temática Barsa)
5.3. CONHECIMENTO E CONSCIÊNCIA
Conhecimento é um fenômeno consciente. Conhecer é ter consciência de alguma coisa "ter consciência de qualquer coisa, ser dela consciente e conhecê-la é identicamente a mesma coisa". Em todo ato de conhecimento, por mais simples e elementar, é presente, ao menos implicitamente, a reflexão (consciência do eu), que opõe um sujeito a um objeto. O sujeito deve transcender no objeto mas não se perder a si mesmo. Adesão não desaparecimento
6. CONSCIÊNCIA, CONHECIMENTO E ESPIRITISMO
6.1. A TRAJETÓRIA DO PRINCÍPIO INTELIGENTE
O princípio inteligente, estagiando no reino mineral, adquiriu a atração; no reino vegetal, a sensação; no reino animal, o instinto; no reino hominal, o livre-arbítrio, o pensamento contínuo e a razão. Nosso passado histórico propiciou-nos a automatização de hábitos e atitudes. Afirma-se que quanto mais desligado da matéria for o sujeito (Espírito), tanto mais perfeito será o seu conhecimento. A lei do progresso exige que o princípio inteligente vá-se despojando dos liames da matéria. Para que tenhamos um olhar crítico, devemos libertar-nos da obscuridade da matéria, consubstanciada no egoísmo, no orgulho e no interesse próprio.
6.2. REMORSO E SATISFAÇÃO
Na página 245, da Revista Espírita de 1867, de Allan Kardec, os Espíritos superiores instruem-nos acerca do remorso e da satisfação interior. Diz-nos que o homem tem consciência que o adverte quando fez o bem ou fez o mal. Quer abafá-la pelo esquecimento, mas nunca é completamente abafada. O remorso, que penetra e tortura quando se praticou uma ação reprovada por Deus, pelos homens, pela honra e pelo senso moral, é como uma serpente de mil voltas, que exige reparação à pessoa a quem se fez o mal. Para pôr fim às suas torturas, seu orgulho se dobra e ele confessa os seus crimes. O remorso é um desenvolvimento do senso moral. Ele não existe onde o senso moral ainda se acha em estado latente.
Suponha que queiramos romper união qualquer: pai e filho, marido e mulher. Os Espíritos de luz advertem-nos de que devemos consultar a nossa consciência. Caso permaneça alguma rusga, alguma nevoa, devemos esperar um pouco mais.
6.3. MAIS INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS
"Deus criou todos os Espíritos iguais, simples, inocentes, sem vícios, e sem virtudes, mas com o livre arbítrio de regular suas ações segundo um instinto que se chama consciência, e que lhes dá o poder de distinguir o bem e o mal. Cada Espírito está destinado à mais alta perfeição junto a Deus e do Cristo; para ali chegar, deve adquirir todos os conhecimentos pelo estudo de todas as ciências, se iniciar em todas as verdades, se depurar pela prática de todas as virtudes; ora, como essas qualidades superiores não podem ser obtidas em uma única vida, todos devem percorrer várias existências para adquirir os diferentes graus de saber". (Kardec, 1862, p. 84)
7. CONCLUSÃO
Quanto mais conhecimento, mais consciência, mais responsabilidade e mais liberdade. O conhecimento livra-nos da cegueira do coração e lança-nos à imensidão do desconhecido, mas com a certeza de desvendá-lo pouco a pouco. 

 
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Kardec, Allan. Revista Espírita de 1862.
Kardec, Allan. Revista Espírita de 1867.
PERINE, Marcelo. Ensaio de Iniciação ao Filosofar. São Paulo: Loyola, 2007.

FELICIDADE NO SERVIÇO DE DEUS


“Servi a Deus com alegria...”
1° Não há felicidade nas concupiscências do século
        
Infeliz do católico que abandona o Deus Eterno para buscar paz e felicidade no mundo inimigo de Deus e das almas imortais.
O próprio Cristo Jesus disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo dá” (Jo 14, 27).
O mundo não pode dar aquilo que não possui, isto é, a felicidade.
A felicidade, vendida nas esquinas ou oferecida como sedução de um prazer fugaz, deixa o gosto amargo e a ressaca de uma estúpida embriaguez.
A felicidade é a flor que desabrocha no madeiro da cruz, é a consciência de quem pode gritar, de cabeça erguida, que nada tem feito em detrimento do seu semelhante.
O homem, solitário, mas andarilho, não encontraria o caminho da felicidade que não possui ocaso. O estudo da filosofia ou das religiões mostra-nos como a busca da felicidade, sem um mergulho no eterno, é perturbada pela morte e pelo mistério do nada que agita o coração humano.
Veio Alguém a ensinar ao homem o caminho de uma felicidade que não pode ser vencida pelo acaso, porque lança as suas raízes no eterno: Cristo Jesus. O mistério da Encarnação é a verdadeira escola da teologia. A adoração do Cristo Encarnado torna-nos capaz de contemplar o próprio Deus. Em Cristo, o mistério é-nos revelado.
Jesus promete uma alegria completa, atual e perene. A felicidade não é utopia, é a realidade que só é possível ser acolhida por um coração aberto, capaz de acreditar no impossível humano que é possível para Deus.
Os santos sempre foram os cantores da felicidade verdadeira. A alegria do Evangelho não é sorriso “comercializado e vulgarizado”, que somos acostumados a ver em todas as páginas das revistas.
A felicidade sóbria e serena dos santos é fruto de uma ascese e de uma identificação na vivência com a Palavra do Senhor.
Debalde pretende a alma encontrar o seu repouso na concupiscência da carne, isto é, envolvendo-se na matéria ou nos prazeres dos sentidos. Criada à imagem de Deus, cidadã do céu que deve reconquistar, são devidas à sua inteligência e à sua vontade, alegrias mais nobres e duradouras. O seu desejo de felicidade não se poderia limitar à terra e aos prazeres carnais, pois ela foi criada para uma beatitude celeste e espiritual que é a posse de Deus: “Sou cada dia mais feliz, pois sou de Nosso Senhor. Ele me dá a felicidade verdadeira... O amor a Jesus dá forças e alegria” (Santa Teresa dos Andes).
Somente no Deus Infinito encontraremos a verdadeira felicidade; aquela que satisfaz a nossa alma imortal e que nos torna sedentos de nos consumir por Ele.
Por mais que façamos, o nosso coração foi criado para Deus; eis um princípio basilar; tem uma capacidade de infinito, e nenhuma criatura o pode saciar perfeitamente. Fora de Deus só há alegria efêmera e paz ilusória; em vão se agita o coração correndo após a criatura.
Escreve Santo Agostinho: “Por que teimais em percorrer sempre os caminhos penosos e fatigantes? O repouso não está onde o procurais; sem dúvida procurai-o, mas não onde se acha: buscais a felicidade na região da morte; ela está noutra parte. Como poderia a vida feliz encontrar-se onde nem mesmo se encontra a verdadeira vida? Aquele que é a vida, a nossa vida, desceu ao meio de nós. Só n’Ele, em Cristo Jesus, se encontra o princípio da vida, a fonte da paz”.
Será a nossa alma mais feliz na posse das riquezas? De modo nenhum: imensamente superior a todos os tesouros que o mundo ambiciona, como poderia saciar-se com eles? São lhes necessários bens em relação com a excelência do seu ser, da sua razão e dos seus destinos. Ela sente o vácuo das riquezas que perecem, conhece-lhes a fragilidade. Também o luxo do mundo ser-lhe-á sempre uma suprema vaidade; ela suspira pelo único bem, no qual estão todos os outros bens: “Deus é o único Bem que nos pode satisfazer, o único ideal que nos pode apaixonar inteiramente. Encontro  tudo n’Ele. Alegro-me até o íntimo por vê-lo tão lindo, por sentir-me sempre unida a Ele, já que Deus é imenso e está em toda parte. Ninguém pode separar-me d’Ele. Sua essência divina é minha vida. Deus me sustenta em cada momento, alimenta-me. Tudo quanto  vejo fala-me de seu poder infinito e de seu amor. Unindo-me a seu Ser Divino: santifico-me, aperfeiçôo-me e divinizo-me” (Santa Teresa dos Andes).
Parece, entretanto, que a ambição das honras ou o orgulho da vida, sendo mais proporcionada à espiritualidade da nossa alma, deveria satisfazê-la; mas não. As dignidades são sempre limitadas e nosso coração tem desejos sem limites. A fama é uma fumaça passageira e nós aspiramos instintivamente a uma glória imortal. Por que então, homem racional, imagem viva de Deus, por que procuras a felicidade na estima das criaturas? Por que nas riquezas e prazeres dos sentidos? “Não pode saciar-te com nenhum bem temporal, porque não és criada para gozar        do que é caduco. Ainda que possuísses todos os bens criados, não poderias ser ditosa e bem-aventurada; só em Deus, que criou todas as coisas, consiste tua bem-aventurança e felicidade” (Tomás de Kempis).
Meu Deus, tenho vergonha de mim mesmo ao considerar as minhas más inclinações, que me levam a afastar-me de vós, oceano de todos os bens, para me dessedentar em cisternas dessecadas, que não podem saciar minha sede de grandeza e felicidade. Dignai-vos atrair-me a Vós, e por isso: 1.° Mostrai-me o nada que passa com a vida presente e a realidade dos méritos que se levam para a eternidade; 2.° Inspirai-me o desejo de Vos amar sem partilha e de enriquecer-me com as virtudes antes do dia e da hora em que vos deverei prestar contas de todos os meus instantes.
2.° Onde se encontra a verdadeira felicidade
Acharemos o contentamento, quanto este é possível no mundo, guardando a paz com Deus, com o próximo e conosco mesmos. Nós a temos com Deus, vivendo em estado de graça ou evitando sempre o pecado mortal; fruímo-la melhor ainda quando fugimos das menores faltas, estando dispostos a antes morrer do que cometê-las de caso deliberado.
Essas disposições encerram tudo o que pode tranquilizar uma alma, nutrir a sua confiança e enchê-la de alegria. Como é bom observar as leis do Senhor! “Uma paz abundante é a partilha dos que a amam e praticam fielmente” (Sl 118, 165).
Quem encontra a Deus, possui a verdadeira felicidade, porque ela não pode existir longe do Senhor.
Fomos feitos para a felicidade, para sermos felizes: o nosso coração tem uma capacidade de infinito, e só Deus o pode saciar perfeitamente.
Santo Agostinho escreve: “Foi para Vós, Senhor, que nos criastes, e o nosso coração vive inquieto, enquanto não encontrar repouso em Vós”, e: “Como é bonito unir, identificar a nossa vontade com a d’Ele! Agindo assim, sentimo-nos sempre felizes e sempre contentes” (Bem-aventurada Elisabete da Trindade).
Aquele que busca algo fora de Deus ou da sua vontade não encontrará felicidade estável e perfeita.
Também, para termos a paz com o próximo; suportemos com mansidão os seus defeitos, suas desatenções e sua indelicadeza. Desculpemo-los ordinariamente e não acusemos senão a nós mesmos nas contradições e nas contrariedades. Digamo-nos nessas ocasiões: “Como é que um santo ou Jesus, se estivesse em nosso lugar, suportaria esta pena, esta humilhação? Imitemo-lo e, a seu exemplo, sejamos atenciosos, afáveis e benévolos, a fim de termos paz com todos”.
São Paulo escreve: “... procurando, se possível, viver em paz com todos, por quanto de vós depende” (Rm 12, 18).
Mas a verdadeira felicidade exige ainda que tenhamos paz conosco mesmos, a qual se obtém pela vitória sobre os defeitos próprios, pelo império adquirido sobre as inclinações por meio da graça. Seria, pois, um erro basearmos a nossa tranquilidade sobre a virtude alheia, sobre a sua mansidão conosco.
Não encontraremos o sossego da alma a não ser no triunfo sobre as nossas paixões, causa única das nossas perturbações. O Espírito Santo nos dará então o doce testemunho, de que fala o apóstolo, de que somos os filhos de Deus e os herdeiros do céu, testemunho que nos fará antegozar interiormente as delícias dum festim perpétuo.
Ó Jesus! Donde me vêm os dissabores, as tristezas, os desânimos, senão da minha pouca fidelidade aos vossos preceitos e da grande sensibilidade do meu amor próprio?
Pela intercessão da vossa divina Mãe, concedei-me: 1.° Integral pureza de coração, isenta de falta e apego terrestre; 2.° Harmonia perfeita com meus irmãos por espírito de condescendência e caridade; 3.° Abnegação completa da minha vontade, dos meus desejos, dos meus gostos naturais sempre e em todas as circunstâncias. A esse preço espero gozar, já nesta vida, uma paz profunda e durável, paz com Deus, com o próximo e comigo mesmo.


Pe. Divino Antônio Lopes

A busca de Deus pela busca de si mesmo



“Só em Deus a minha alma tem repouso, porque dele é que me vem a salvação!” (Sl 61, 2).
Neste salmo, diante das presentes perseguições sofridas, Davi anseia um refúgio seguro para repousar a alma, ora tentada ao medo, ora propensa ao desânimo. Bem sabe que nada neste mundo é suficiente para satisfazer os seus anseios mais profundos, e a inquietude de sua alma, insistente e avassaladora, não se deixa iludir pelos falsos prazeres que, sempre acompanhados de uma enganosa promessa de felicidade, são vazias e em si carregam uma multidão de pecados. Por isso, Davi pôde relacionar o repouso da alma com a redenção da mesma: “[...] porque dele é que me vem a salvação”. Ó alma predileta, por puro amor o Criador te criou para que com Ele tu participasses de Sua eterna bem aventurança. Em contrapartida, o pecado é uma desordem, e como a palavra já denota por si mesma, deturpa a harmonia deixada por Deus e rompe a profundíssima comunhão d’Ele contigo, como elucida Agostinho nas Confissões: “Porque não é caminhando nem atravessando espaços que de ti nos afastamos ou a ti retornamos [...] Basta mergulhar nas paixões, isto é, nas trevas, para ficar longe de tua face” (Confissões 18,28). Ao invés esperar do Criador toda a sorte de graças, a imundície do pecado faz com que o homem os procure na criatura: “Trocaram a verdade de Deus pela mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, que é bendito para sempre” (Rm 1, 25). 

 Assim, o caminho do pecado e o caminho da felicidade são completamente opostos. Em qual caminho desejas aventurar-te, ó alma sedenta? Acaso é tão difícil assumir que a tua incessante busca de felicidade não é senão a busca de Deus? Apóia-te na declaração do salmista e prepara-te para essa maravilhosa viagem, essa busca de Deus à luz do testemunho e do ensinamento de Agostinho, uma alma veramente sedenta:
“Assim como a corça suspira pelas águas correntes,
suspira igualmente minh’alma por vós, ó meu Deus!
Minha alma tem sede de Deus e deseja o Deus vivo.
Quando terei a alegria de ver a face de Deus?”(Salmo 41, 2-3).
  1. 1. A inquietude humana
Não é a toa que logo na primeira página de sua autobiografia Agostinho afirma: “[...] fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti” (Confissões 1,1). Todo o seu itinerário, seja ele intelectual ou espiritual, resumem-se nesta frase tão intensamente vivenciada por ele. Três elementos desta assertiva merecem a tua atenção: a finalidade do homem, sua inquietude e o desejo de repouso. Ó alma amada, foste feita por Deus e para Ele estás orientada; n’Ele hás de encontrar a tua razão de ser. Eis uma verdade consoladora: tua existência possui um sentido para além daquilo que podes ver. Por isso, nunca te sacias plenamente com as ofertas do mundo, pois, sendo a humanidade marcada com o selo da eternidade, todas as realidades transitórias lhe são fúteis, sem valor. Santo Agostinho, ao meditar seus erros passados, compreende a ilusão em que caíra: “[...] Meu pecado era não procurar nele, e sim nas suas criaturas – isto é, em mim mesmo e nos outros – os prazeres, as honras e a verdade. Eu me precipitava assim na dor, na confusão e no erro” (Confissões 20,31). Alma dileta! Compreende que, embora abraces o amor e as alegrias terrenas, estas nunca te serão capazes de preencher toda a tua sede de eternidade, deixando-te profundamente insatisfeita. Respectiva insatisfação nada mais é do que a santa inquietude, da qual tanto falou Agostinho. Somente Deus é capaz de oferecer repouso ao homem, pois sendo Pai de Amor, oferece-se a si mesmo como repouso, abrigo e refúgio: “Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós” (Sl 89, 1). Antes de empreenderes essa busca de Deus que, como foi afirmado, é a busca da própria felicidade, precisas tomar consciência de que és insatisfeita, inquieta e que, desta forma, deves desapegar-te de toda afeição desordenada e das escrupulosas propostas deste mundo para poderes caminhar sem resistências ao encontro do Amado, já que grande é o fervor do teu coração:

“Em meu leito, durante a noite, procurei o amado de minha alma.
Procurei-o, e não o encontrei. Vou, pois, levantar-me e percorrer a cidade,
pelas ruas e pelas praças, procurando o amado de minha alma [...]
Eu durmo, mas meu coração vigia. É a voz do meu amado a bater [...]
Eu sou para o meu amado e meu amado é para mim,
ele que apascenta entre os lírios” (Ct 3,1-2; 5,2; 6,3).



  1. 2. A viagem interior
"Aqueles que pretendem encontrar a alegria fora de si, facilmente encontram o vazio" (Santo Agostinho).
Muitos foram os caminhos que Agostinho havia perscrutado e em nenhum deles encontrou a felicidade, o pleno repouso da alma! No entanto, descobre, estupefato diante dos desígnios divinos, que Deus não estava fora, como se fosse necessário acorrer em muitos lugares para O encontrar, mas sim dentro dele, na interioridade do seu ser: “A luz estava no meu interior, mas eu olhava para fora. Ela não estava em local determinado, enquanto eu só olhava para as coisas situadas em certo lugar, sem achar aí um lugar para repousar [...] Minha presunção separava-me de ti. Meu rosto, de tão inchado, me fechava os olhos” (Confissões 7,11).
O que este grande santo descobrira é, para ti, ó alma eleita, grandeza inestimável. Deus, fonte de toda a nossa esperança, está no mais íntimo de tua alma e não fora de ti: “Instigado [...] a retornar a mim mesmo, entrei no íntimo do meu coração sob tua guia, e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio. Entrei e, com os olhos da alma, acima destes meus olhos e acima de minha própria inteligência, vi uma luz imutável [...] Quem conhece a verdade conhece esta luz, e quem a conhece, conhece a eternidade” (Confissões 10,16). Em contrapartida, reconhecer a presença do Senhor no teu interior não basta, pois sendo apenas um reconhecimento não significa ainda a posse do mesmo, mas já é um grande passo de fé como o foi para Agostinho. Desejas ainda aventurar-te nessa bendita busca de Deus?

“Voltem a procurar-te, eis que aí estás, em seus corações, no coração de cada um que te reconhece
e se lança a teus pés, e chora no teu seio, após longa e difícil jornada” (Confissões 2,2).
  1. 3. “Eu, prazer em conhecê-lo!”
"Que eu me conheça a mim mesmo, que eu Te conheça Senhor" (Santo Agostinho)
Agora que já bem sabes que o Amado não está muito longe, mas sim no profundo do teu ser, comece esta caminhada à interioridade. Sem receios, aprofunda-te cada vez mais... Mas eis que surge neste caminho algo inesperado, como que um bloqueio, que te impede de prosseguir caso não o superes! O que poderia estar atrapalhando o teu encontro com Deus, ó alma eleita? Acaso seria a fúria de Satanás?  Não seria o teu medo ou o teu receio de estar em um caminho errado? Quem te parou? Digo-te: tu mesma! És, neste preciso momento, o próprio peso desta santa caminhada rumo à interioridade. Antes de tudo, entende o que Agostinho afirmou: “Onde estava eu quando te procurava? Estavas diante de mim, e eu até de mim mesmo me afastava, e se não encontrava nem a mim mesmo, muito menos podia encontrar-te a ti” (Confissões 2,2). Faz tu uma pequena experiência: aponte o teu dedo para ti mesma e movimente-o para dentro, como se quisesses tocar o Senhor que em ti está! Acaso não te vais sentir impedida pela parede do templo do teu corpo, ó alma sedenta? Assim, da mesma forma sucede neste caminho que há pouco empreendeste: a alma que se decide encontrar o Senhor dentro de si deve primeiro, encontrar-se consigo mesma, do contrário, nunca poderá repousar nos braços de Deus. Santo Agostinho bem delineou que quem se afasta de si mesmo, acaba se afastando de Deus: “[...] e se não encontrava nem a mim mesmo, muito menos podia encontrar-te a ti”. Portanto, não fujas de ti mesma! Não tenhas medo de se colocar frente a ti mesma! Não te dê às costas! Vê quem és! Descobre-te! Estás prestes a dar o segundo passo fundamental para o encontro com o Senhor. Não é sem razão que Ele, em sua divina sabedoria, permita-te enfrentar a ti mesma, pois bem sabe que podes muito crescer com esse encontro valioso.

  1. 4. Perdoar-se!
“Senhor, enquanto ele falava, me fazias refletir sobre mim mesmo, tirando-me da posição de costas, em que eu me havia colocado para não me enxergar a mim mesmo, e me colocavas diante de minha própria face, para que eu visse quanto era indigno, disforme, sórdido, coberto de manchas e de chagas.
E eu via, e me horrorizava, e não tinha como fugir de mim mesmo” (Confissões 7, 16).

Muitas foram às vezes que, ao convite de ver a ti mesma, pretendestes fugir, assim como o fez Agostinho. Foges, muitas vezes mergulhando-te na agitação mundana enquanto o Senhor te chama ao deserto para que, a sós, consigo mesma, possas escutar a si e a Deus: “Pois, agora, eu é que vou seduzi-la, levando-a para o deserto e falando-lhe ao coração” (Os 2, 16). Por que Deus escolhera este lugar? Quando se fala de deserto, as primeiras moções da imaginação humana remetem a um lugar onde reinam o silêncio e a solidão. Quantos sãos preciosos momentos que Deus fala contigo, mas não escutas por estares surda pela tormenta exterior: “Ah, Israel! Se quisesses me escutar [...] Mas meu povo não ouviu a minha voz [...] Quem me dera que meu povo me escutasse!” (Sl 80, 9b, 12a, 14a). O silêncio que Deus te pede é o interior para que possas encontrar-te contigo. Assim, estejas atenta e não deixes a graça passar: “Não te disperses. Concentra-te em tua intimidade. A verdade reside no homem interior” (Santo Agostinho).

Acaso podes estar perguntando-te: Por que o homem foge de si mesmo? O que lhe custa tanto, a ponto de não querer se encontrar com a sua própria identidade? Com certeza, ó alma eleita, Deus permite aos seus queridos filhos este momento pessoal porque nem sempre estão reconciliados consigo mesmos. Nem sempre aceitam o que tiveram em suas vidas. Nem sempre aceitam portar as feridas que carregam e que na verdade são frutos de uma história de vida cheia de sofrimentos. O santo de Hipona já ensinava: “Uma grande felicidade é precedida sempre de um grande sofrimento” (Confissões 3,8). Se tu desejas chegar ao fim deste caminho rumo à posse da felicidade, tem por certo de que o sofrimento virá. O Senhor, seguramente, prepara grandes maravilhas para ti, porém, deves perdoar-te a ti mesma! Ó alma amada, convido-te neste momento a olhar para ti e ver, sem preconceitos, quem realmente és! Ver-te em todas as tuas limitações, fraquezas e pecados! Relembrar a tua história e com ela todas as feridas que com ela tu carregas. 

Como deve ser penoso para ti rever a tua lida e, diante dela, aceitar tudo o que te aconteceu! Porém, escuta docemente a voz do Espírito que te diz: “Tudo o que te acontecer, aceita-o, e sê constante na dor; na tua humilhação tem paciência, pois é no fogo que o ouro e a prata são provados e, no cadinho da humilhação, os que são agradáveis a Deus” (Eclo 2, 4-5). Tem por certo, ó alma amorosa, que se Deus te permite rever as feridas e sofrer a humilhação do que não aceitas em tua história é porque muito te ama e desejas ver-te curada. Desta forma, alegra-te por seres agradável a Deus, pois em tua miséria o Artífice Divino edificará o trono de Sua Misericórdia. À medida que aceitares a amares a ti mesma, com sinceridade, verás, com os olhos da alma, uma luz brilhantíssima, donde emana paz, amor e alegria profundíssima: encontras-te, assim, o Amado!

“[...] entrei no íntimo do meu coração sob tua guia, e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio.
Entrei e, com os olhos da alma, acima destes meus olhos e acima de minha própria inteligência,
vi uma luz imutável [...] Quem conhece a verdade conhece esta luz,
e quem a conhece, conhece a eternidade” (Confissões 10,16).

  1. 5. O divino encontro
"Amar: ir perder-se de si! Encontrar a Deus!" (Santo Agostinho)
Já ensinava Agostinho que a busca de Deus é a busca da felicidade e que o encontro com Ele não é senão a própria felicidade. Bendito é aquele que encontrou, mesmo que em dores, o colo de Deus em seu pequenino coração. Ó alma enamorada, se tu superaste a ti mesma, aceitando-te em todos os teus fracassos e amando-te em tua pequenez, saibas que livre dos afetos terrenos estás e, assim, podes voar tranqüila e serena para o encontro com o amado. Eis o que Ele te diz: “Levanta-te, minha amada, minha rola, minha bela, e vem! O inverno passou, as chuvas cessaram e já se foram” (Ct 2, 10b-11). Responde a Ele: “Como és belo, meu amado, como és encantador. Nosso leito está florido [...]” (Ct 1, 16). 


 Se antes a recordação de tua vida era inverno e tempestade para a alma, rejubila-te, pois o perdão floriu teu coração, o leito de encontro. Firma-te nisto: possuir a Deus é uma experiência valiosíssima; é como um tesouro que, quando encontrado, faz com que todas as coisas antes consideradas dignas de atenção tornem-se medíocres e mesquinhas: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo. Alguém o encontra, deixa-o lá bem escondido e, cheio de alegria, vai vender todos os seus bens e compra aquele campo” (Mt 13, 44). Louva ao Senhor, pois grande foi a compaixão d’Ele para contigo. Tu que és pó e terra, “fraca e de existência muito breve” (Sb 9, 5b), foste alcançada pela misericórdia e assim és, ao poucos, restituída à semelhança do Criador. Vê que Agostinho já confessava o seu profundo agradecimento ao Senhor pela grande obra de restauração em sua vida: “Tu te compadeceste da terra e do pó, e quiseste reformar minhas deformidades. Com um aguilhão secreto provocavas em mim a inquietude, para que eu me mantivesse insatisfeito, até que te tornasses uma certeza ao meu olhar interior” (Confissões 8,12). 

 Novamente interpelo-te: acaso não esteja Deus te inquietando para que não durmas no sono mortal do pecado, onde as falsas alegrias nada mais são do que armadilhas para a desgraça eterna? Acaso não esteja Deus permitindo-te a cruz do dia a dia para que sintas na carne o fato de que nada nesta terra durará para sempre? Nunca te tenhas por satisfeita neste mundo, ó alma amorosa! Inimaginável é o que Deus desejar dar-te, porque “o que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu” (1Cor 2, 9).
 
Não te exaustes em sonhar com o céu, onde poderás gozar plenamente do teu Deus para sempre, consumindo-se em Seu Divino Amor e formando, assim, com Ele, uma só alma e um só coração. Embora o Senhor esteja esperando tua doce visita, seja na oração cotidiana, seja nos sacramentos – especialmente na Eucaristia, onde, após comungadas as sagradas espécies, o Senhor faz morada em ti – ou em qualquer lugar propício ao recolhimento interior, estejas sempre preparada, ó alma vigilante, para o momento final onde Ele virá ao teu encontro para que, enfim, possas receber a coroa da glória! Não te esqueças do que recorda o salmista: “[...] como um sopro se acabam nossos anos. Pode durar setenta anos nossa vida, os mais fortes talvez cheguem a oitenta; a maior parte é ilusão e sofrimento: passam depressa e também nós assim passamos” (Sl 89, 9b-10). Enquanto dure o teu calvário, não percas a tua fé, o teu amor e a tua esperança; e sempre declara tu ao Senhor: “[...] fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti” (Confissões 1,1).

Ó Santa Inquietude,
que despertas as almas para o divino encontro,
desperta-me para o céu!”
Gil Maria

Avaliação da aprendizagem: Breve histórico da origem aos dias atuais

RESUMO: Discutiremos neste artigo o breve histórico da avaliação da aprendizagem na construção do conhecimento do educando e como instrumento norteador para o trabalho docente. Desse modo escolhemos o exercício da verificação das mudanças ocorridas ao longo dos anos e assim faremos uma analise das diferenças e/ou semelhanças das práticas avaliativas da atualidade.
Elaborado por: Ilka Nunes, Danilo Silva, Vanderson Silva, Viviane Araújo

Palavras chave: Histórico da Avaliação, Avaliação da aprendizagem.

1 – Introdução

Sempre que refletimos sobre a educação logo fazemos uma relação com a avaliação da aprendizagem escolar, que por sua vez, é historicamente ligada ao ato da aprovação e reprovação do aluno. Mas, é importante refletir sobre como a avaliação é vista e qual suas implicações no processo de ensino/aprendizagem do educando e nas práticas dos professores.
Para falar sobre avaliação da aprendizagem é necessário conhecer o conceito de avaliação, assim como suas características mais pertinentes. Podemos conceituar a avaliação como uma ação natural e necessária para que o professor esteja ciente dos conteúdos assimilados pelos alunos, bem como saber se as metodologias de ensino adotadas por ele estão surtindo o resultado esperado.
Para Hoffmann (1994) o fenômeno da avaliação é indefinido, de tal maneira que o termo vem sendo utilizado com diferentes significados, relacionado à prática avaliativa tradicional: prova, conceito, boletim, recuperação e reprovação. Dar nota é avaliar, e o registro de notas denomina-se avaliação. Ao mesmo tempo outros significados são atribuídos ao termo, tais como análise de desempenho e julgamento de resultado.
Atualmente algumas escolas apresentam a avaliação ainda na forma tradicionalmente conhecida, com a realização de testes e provas quase sempre sem haver a preocupação com o aprendizado do aluno. Desse modo, algumas dúvidas surgem quando se pensa no real conceito da avaliação da aprendizagem, e a forma como deve ocorrer essa avaliação para garantir que o aluno aprenda realmente o que está sendo proposto.
Vários autores discutem a temática avaliação da aprendizagem, a fim de debater, analisar e sugerir modificações às práticas mais recorrentes sobre a mesma. Dentre esses autores podemos destacar: Hoffman (1994), Ludke (2001), Luckesi (2003), Aranha (1989), Libâneo (1994).
Desse modo é possível fazer uma comparação entre a avaliação criada desde a época dos Jesuítas até os tempos presentes, percebendo quais as diferenças e semelhanças existentes nas práticas docentes e, principalmente, qual o impacto dessas formas de avaliação no aprendizado do educando.

2 – Breve Histórico da Avaliação da Aprendizagem no Brasil

Os primeiros sinais de um sistema de avaliação da aprendizagem escolar datam de 1549 com o ensino jesuítico, que permaneceu no Brasil até 1759, ou seja, por 210 anos. Tal ensino era caracterizado por sua postura tradicional com o foco no professor e levava o aluno a uma prática que o distanciava da convivência com a sociedade, no que se refere às práticas da vida cotidiana. Sobre essa questão Libâneo diz:

“Os objetivos, explícitos ou implícitos, referem-se à formação de um aluno ideal desvinculado com a sua realidade concreta. O professor tende a encaixar o aluno num modelo idealizado de homem que nada tem a ver com a vida presente e futura. A matéria de ensino é tratada separadamente, isto é, desvinculada dos interesses dos alunos e dos problemas reais da sociedade e da vida.” (LIBÂNEO, 1994, p. 64)

Mesmo não tendo um sistema avaliativo propriamente dito, os jesuítas se configuravam pelo ensino focado na memorização, ou seja, os alunos eram obrigados a decorar as lições, tal como estava nos livros. Sobre isso Aranha (1989) diz:

“O ensino jesuítico possuía uma metodologia própria baseada em exercícios de fixação por meio de repetição, com objetivo de serem memorizados. Os melhores alunos auxiliavam os professores a tomar lições de cor dos outros, recolhendo exercícios e tomando nota dos erros dos outros e faltas diversas que eram chamadas de decuriões. As classes inferiores repetiam lições da semana todo sábado. Daí a expressão “sabatina” utilizada por muito tempo para indicar formas de avaliação.” (ARANHA, 1989, p. 51)

O período do império por ter sido marcado pelas mudanças históricas tanto na política como no processo educativo, as formas avaliativas quase nunca eram realizadas, por não haver um processo avaliativo estabelecido. Nessa época foi dado início à formação de professores para as escolas primárias.
O período republicano trouxe a avaliação da aprendizagem de forma mais sistemática, desse modo os educandos passaram a ser avaliados constantemente com a realização de provas (orais, escritas e práticas). Assim a avaliação se restringia a aprovação e reprovação do aluno. Porém em 1904 a avaliação passou a ser sistematizada a partir de notas que iam de 0 a 5.
A primeira república, que teve início em 1920, trouxe algumas discussões sobre o formato do ensino tradicional limitada à elite e pautada na aprendizagem de forma mecânica. A partir de 1932 com o Manifesto dos Pioneiros, que tinha entre seus idealizadores Anísio Teixeira, a luta por uma escola democrática que contemplasse toda população ganhou mais força.
A Escola Nova apresentou a proposta onde os professores tivessem como parâmetro os interesses dos alunos, tornando-se assim facilitadores ao invés de apenas transmissores de conteúdos. Desse modo, o sistema avaliativo era feito de forma subjetiva, permitindo que o aluno tivesse autonomia sobre sua formação.

3- Avaliação da Aprendizagem Escolar na Atualidade

A avaliação é elemento integrante do processo ensino/aprendizagem e ganhou na atualidade espaço muito amplo nos processos de ensino. Requer preparo com componentes especializados e grande capacidade de observação dos profissionais envolvidos. Porém, ainda hoje, a avaliação da aprendizagem é vista por muitos como o ato de mensurar o conteúdo que foi aprendido pelo aluno em cada período escolar. Essa forma de avaliação quase sempre é aproveitada de forma quantitativa, sendo utilizada muitas vezes tendo a nota como objetivo maior e pouco para estabelecer uma qualidade do ensino obtido pelo educando.
Segundo Lukesi (2002), a avaliação da aprendizagem deve ser assumida como um instrumento que existe, propriamente para mensurar a qualidade da assimilação do conhecimento por parte do aluno e para compreender em que estágio da aprendizagem ele se encontra. Assim, é possível estabelecer um vínculo entre o ensino e a qualidade das propostas de intervenção realizadas pelos professores.
Hoje em dia, alguns educadores modificaram sua percepção sobre o que é avaliar, pois passaram a perceber a ampliação do conhecimento do aluno no cotidiano e não apenas um momento único, além de perceber as peculiaridades de cada discente. Porém, a avaliação ainda se configura como a obtenção de um resultado objetivo, por meio de notas.
A verdade é que a avaliação da aprendizagem possibilita a tomada de decisão e a melhoria da qualidade de ensino, informando as ações em desenvolvimento e a necessidade de regulações constantes para encontrar parâmetros que possam estabelecer quais as melhores formas de chegar ao educando de modo que ele consiga agregar os conteúdos ao seu cotidiano. Mendéz (2002) ressalta que no âmbito educativo, a avaliação deve ser entendida como atividade critica de aprendizagem, porque se assume que avaliação é aprendizagem no sentido de que por meio dela adquirimos conhecimento.
No Brasil, a concepção de avaliação proposta pelos PCNs (Brasil, MEC: 1997) pretende superar a concepção tradicional de avaliação, compreendendo-a como parte integrante e intrínseca do processo educacional. Ainda segundo os PCNs “a avaliação das aprendizagens só poderá acontecer se forem relacionadas com as oportunidades oferecidas, isto é, analisando a adequação das situações didáticas propostas aos conhecimentos prévios dos alunos e aos desafios que estão em condições de enfrentar.”

4 – Considerações Finais

Por fim, com face ao que foi exposto, podemos perceber que o formato da avaliação promoveu várias modificações no sistema de ensino, que deram espaço a reflexões sobre o que é avaliar na escola, em que a inquietação agora não se limita em aprovar e reprovar o aluno, mas envolve também seu empenho com o aprendizado dentro do seu cotidiano.
É preciso distinguir a avaliação da aprendizagem buscando distanciá-la do objetivo que é obtenção de uma média favorável apenas para sua reprovação e aprovação, uma vez que essa forma de avaliar não sofreu nenhuma modificação, pois ainda hoje a avaliação é muito pautada na retenção ou avanço do aluno.
Freitas assinala um aspecto importante:

“Guardar todos os alunos dentro da escola, independentemente de terem aprendido ou não dar mais visibilidade aqueles alunos que não aprenderam o que antes era simplesmente expulso da escola pela reprovação administrativa. A visibilidade do aluno que não aprende é percebida, erradamente, pelos pais e pela sociedade como problema do ciclo ou da progressão continuada; entretanto é produto da velha lógica da escola e da avaliação (...). Nos ciclos e da progressão continuada, esses alunos permanecem no interior da escola exigindo tratamento pedagógico adequado. Eles são uma denuncia viva da lógica excludente, exigindo separação. A volta para o sistema seriado é uma forma de se calar essa denuncia e precisa ser evitada.” (FREITAS, 2003, p. 49)

Ao longo do tempo as alterações que ocorreram no sistema de ensino, admitiram estabelecer um novo exemplo de avaliação da aprendizagem escolar, com ênfase para avaliação formativa com base no diagnostico, consentindo assim, corrigir as modalidades de ação no seu percurso, possibilitando um olhar mais atento sobre como os alunos constroem seus próprios conhecimentos.
No entanto, para realização da prática desse novo olhar sobre a avaliação, é necessária a constituição de uma nova cultura escolar com práticas inovadoras com preceito e ponto de vista que não estar sujeito a modificação legal, mas de categoria especificas para tal processo, que constitui nas alterações e variação nas condições de trabalho apresentada ao professor, da estrutura da escola e do preparo técnico e pedagógico para o corpo docente.

Referências

ARANHA, M. L. de A. História da Educação, 1 ed. São Paulo: Moderna, 1989.
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997.
FREITAS, L. C. de. Seriação e Avaliação: confronto de lógicas. 1 ed. São Paulo: Moderna, 2003.
HOFFMANN, J. Avaliação, mito e desafio: uma perspectiva construtivista. 12 ed. Porto Alegre: Educação e realidade, 1994.
LIBÂNEO, J.C. Didática. São Paulo: Cortez, 2002.
LUKESI, C.C. Avaliação da Aprendizagem Escolar. 14 ed. São Paulo: Cortez, 2002.
MÉNDEZ, J. M. A. Avaliar para conhecer, examinar para excluir. Tradução Magda Schwarzhaupt Chaves. Porto Alegre: Cortez, 2002.
 





Dulce María (Minha maior Inspiração)

No pares

Nadie puede pisotear tu libertad
Grita fuerte por si te quieren callar
Nada puede deternerte si tu tienes fe
No te quedes con tu nombre escrito en la pared
En la pared...

Si censuran tus ideas, ten valor
No te rindas nunca, siempre alza la voz
Lucha fuerte, sin medida, no dejes de creer
No te quedes con tu nombre escrito en la pared
En la pared...

No pares, no pares no
No pares nunca de soñar
No pares, no pares no
No pares nunca de soñar
No tengas miedo a volar
Vive tu vida

No construyas muros en tu corazon
Lo que hagas, siempre hazlo por amor
Pon las alas contra el viento
No hay nada que perder
No te quedes con tu nombre escrito en la pared...

No pares nunca de soñar
No pares, no pares no
No pares nunca de soñar
No tengas miedo a volar
Viver tu vida

Mi Guerra Y Mi Paz

Es como un juego sin control
En donde nadie pierde y gana
Es ley de acción y reacción
Es la ley de tu amor y mi amor

No puedo estar lejos de ti
Pero a tu lado no quiero estar
Estoy atada a esta relación
Que me hace volver escapar

Contigo y sin ti es mi obsesión
En un cruel laberinto perdida estoy
No debo permitirme ni prohibirme
Es un caos mi corazón!

Mi vida junto a ti es imposible, incompatible
Y no te puedo dejar
Estamos condenados a vernos y a desearnos
Aunque rompamos da igual.
Mi vida junto a ti es combustible, indiscutible
Es como un dulce letal
Un día nos odiamos y otro nos amamos
Eres mi guerra y mi paz

Yo no quisiera desconfiar
Y ser por siempre tu mitad
Pero más fue de mi instinto de
Conservar a mi fiel libertad

Aunque me digas la verdad
Yo encuentro siempre la falsedad
Tú me desarmas mirándome
Tú mi fuerza y mi debilidad

Contigo y sin ti es mi obsesión
En un cruel laberinto perdida estoy
No debo permitirme ni prohibirme
Es un caos mi corazón!

Mi vida junto a ti es imposible, incompatible
Y no te puedo dejar
Estamos condenados a vernos y a desearnos
Aunque rompamos da igual
Mi vida junto a ti es combustible, indiscutible
Es como un dulce letal
Un día nos odiamos y otro nos amamos
Eres mi guerra y mi paz

Tú, mi calma y mi condena
Al filo del delirio que siempre me desvela
Eres lava en mi interior
Un violento frío que congela

Mi vida junto a ti es imposible, incompatible
Y no te puedo dejar
Estamos condenados a vernos y a desearnos
Aunque rompamos da igual
Mi vida junto a ti es combustible, indiscutible
Es como un dulce letal
Un día nos odiamos y otro nos amamos
Eres mi amarga mitad
Eres mi azúcar y sal
Eres mi guerra y mi paz?

Para tornar-se o que se é

"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o".


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